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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Liturgia Diária QUINTA, 9 de setembro

Evangelho (Lucas 6,27-38)

 “Naquele tempo, falou Jesus aos seus discípulos: 27“A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, 28bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos caluniam. 29Se alguém te der uma bofetada numa face, oferece também a outra. Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica.
30Dá a quem te pedir e, se alguém tirar o que é teu, não peças que o devolva. 31O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles. 32Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Até os pecadores amam aqueles que os amam. 33E se fazeis o bem somente aos que vos fazem os bem, que recompensa tereis? Até os pecadores fazem assim. 34E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber, que recompensa tereis? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receber de volta a mesma quantia. 35Ao contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será grande, e sereis filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os ingratos e os maus.
36Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. 38Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será posta no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”.

Primeira leitura (1º Coríntios 8,1b-7.11-13)

Irmãos, 1bo conhecimento incha, a caridade é que constrói. 2Se alguém acha que conhece bem alguma coisa, ainda não sabe como deveria saber. 3Mas se alguém ama a Deus, ele é conhecido por Deus! 4Quanto ao comer as carnes de animais sacrificados aos ídolos, nós sabemos que um ídolo não é nada no mundo, e que Deus é um só.
5É verdade que alguns são chamados deuses, no céu ou na terra, e muita gente pensa que existem muitos deuses e muitos senhores. 6Para nós, porém, existe um só Deus, o Pai, de quem vêm todos os seres e para quem nós existimos. E, ainda, para nós, existe um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual tudo existe, e nós também existimos por ele. 7Mas nem todos têm esse conhecimento. De fato, alguns habituados, até o presente, ao culto dos ídolos, comem da carne dos sacrifícios, como se ela fosse mesmo oferecida aos ídolos. E assim, a sua consciência, que é fraca, fica manchada.
11E então, por causa do teu conhecimento, perece o fraco, o irmão pelo qual Cristo morreu. 12Pecando, assim, contra os irmãos e ferindo a consciência deles, que é fraca, é contra Cristo que pecais. 13Por isso, se um alimento é ocasião de queda para meu irmão, nunca mais comerei carne, para não escandalizar meu irmão.

Salmo (Salmos 138)

— Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!
— Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

— Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos, percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos.
— Fostes vós que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes. Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes! Que prodígio e maravilha as vossas obras!
— Senhor, sondai-me, conhecei meu coração, examinai-me e provai meus pensamentos! Vede bem se não estou no mau caminho, e conduzi-me no caminho para a vida!

Mais uma vez Jesus usa de uma pedagogia muito própria. Pode-se dizer que todo o seu discurso se resume nos versículos 36 ao 38. Contudo alguns poderiam dizer que não entenderam.  Ou mesmo se esquivar, igual fazemos as vezes, dizendo que não julgam ou não condenam ninguém.

“Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? (...). E se fazeis bem aos que vos fazem bem, que recompensa mereceis? Pois o mesmo fazem também os pecadores”.

Mais uma vez Cristo nos alerta para uma religião da boca para fora, onde dizemos e não fazemos. Quanto a este tipo de falsidade ele já alertara:

“Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim”. (Mateus 15, 8)

Nisto a liturgia do dia nos dirá que devemos amar. Mas não só amar os amigos, mas também os inimigos (Lucas 6, 27-28); amar não somente por interesse, mas sem esperar nada em troca(Lucas 6, 33-34). Mas como isto é difícil. Impossível talvez.

Nesta hora devemos lembrar o que Jesus nos diz: “O que é impossível aos homens é possível a Deus”. (Lucas 18, 27)

E a nossa resposta a esta nossa fraqueza nós lemos no refrão do salmo 138(139):

— Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

Deus nos sonda e sabe que somos fracos. Sabe das nossas dificuldades de segui-lo, de fazer o bem, de ler a bíblia, de orar, de dar a outra face quando recebemos uma bofetada,... DEUS SABE DASTAS COISAS. Ma também cabe a nós querer ser ajudados por este Deus.
Devemos pedir que Deus veja se não estamos no mau caminho, e se nele estivermos devemos pedir que Ele nos conduza para o caminho da vida (Salmo 138[139] 23-24). E que caminho da vida é este?

É JESUS: CAMINHO, VERDADE E VIDA (João 14, 6)

Por isso, para cada item que o Este trecho do Evangelho de Lucas nos pede, e que nós acharmos impossível seguir devemos pedir que Deus nos conduza no seu caminho e nos dê a força para fazer o bem.

Se não consigo amar meus inimigos e fazer o bem aos que me odeiam? (Lc 6, 27)
— Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!
Não consigo orar pelos que me amaldiçoam nem orar pelos que falam mal de mim?(Lc 6, 28)
— Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!
Não consigo dar a outra face a quem me bate nem me desprender dos meus bens a quem me rouba? (Lc 6, 29-30)
— Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

A primeira leitura já começa a alertar que o conhecimento incha, isto é, só serve para se mostrar, para aparecer. É a caridade que constrói. Caridade aqui é amor ao próximo, independente de quem seja este próximo (alguém que gosta de nós ou que nos odeia).
Seguindo esta linha de raciocínio Paulo fala de algo que acontecia na comunidade de corinto (uma cidade que ficava na região da Grécia daquele tempo): o consumo das carnes que eram dadas aos ídolos.
Animais eram sacrificados aos “deuses” gregos e as sobras de suas carnes eram vendidas para consumo, e daí vinha a dúvida: poderiam essas carnes serem consumidas? Não seria isto sinal de idolatria? (1 Coríntios 8, 4)
Paulo responde que não, vez que esses “deuses” não existem. Só há um Deus e um só Senhor (1 Cor 8, 6).

Podemos comparar isto com o que ocorre nestas festinhas de “São Cosme e São Damião”. Entendam o que eu escrevi: serve como comparação, mas não é o mesmo caso, afinal doces não tem o papel na alimentação que a carne tem. Mas o exemplo serve quanto a como devemos agir.

Muitas das pessoas fazem isto [dar doces] por conta de promessas aos deuses afros. Se eu sei que estes deuses não existem não há problema em comer os doces. Mas, e aqui se aplica o que Paulo disse, se eu sei que alguém acha isto errado, para não criar um mal estar, é melhor eu não comer.
Por analogia podemos ler:

“Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode tornar impuro, porque não lhe entra no coração, mas vai ao ventre e dali segue sua lei natural? Assim ele declarava puros todos os alimentos”.
(Marcos 7, 18-19)

Mas o que isto tem haver com o evangelho? Tudo, oras.
Disse que o discurso de Jesus se resume aos versículos 36-38 do evangelho de Lucas. Aqui ele fala de misericórdia (compadecer da miséria – fraqueza – do outro), e de não julgar (se eu sei algo que o outro não sabe, ou tem um entendimento diferente, não me cabe achar superior).

Que possamos aplicar na nossa vida a medida que usamos para medir os outros, pois é com esta medida que seremos medidos (Lc 6, 38). LOGO NÓS NOS MEDIREMOS. Sendo assim:

— Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

domingo, 29 de agosto de 2010

DOMINGO 29 de agosto

As leituras, particularmente a do Evangelho, elucidam o caminho da Santa Missa. A liturgia da Palavra vai de encontro ao Espírito Santo que nos “recorda” tudo o que Cristo nos fez. Não só nos Recorda, mas nos atualiza seus ensinamentos e o seu único sacrifício.
Partindo disto, o Evangelho segundo São Lucas 14, 1.7-14, nos diz:
“Jesus entrou num sábado em casa de um fariseu notável, para uma refeição; eles o observavam. Observando também como os convivas escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes a seguinte parábola: Quando fores convidado às bodas, não te sentes no primeiro lugar, pois pode ser que seja convidada outra pessoa de mais consideração do que tu, e vindo o que te convidou, te diga: Cede o lugar a este. Terias então a confusão de dever ocupar o último lugar. Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, passa mais para cima. Então serás honrado na presença de todos os convivas. Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado. Dizia igualmente ao que o tinha convidado: Quando deres alguma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem os parentes, nem os vizinhos ricos. Porque, por sua vez, eles te convidarão e assim te retribuirão. Mas, quando deres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Serás feliz porque eles não têm com que te retribuir, mas ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos”.
Jesus nos fala de humildade e nos remete ao livro de Provérbios 25, 6-7, que diz:
“Não te faças de pretensioso diante do rei, não te ponhas no lugar dos grandes. É melhor que te digam: Sobe aqui!, do que seres humilhado diante de um personagem”.
É nesta direção que se destina a oração que fazemos antes da liturgia da palavra, na qual dizemos “Deus do universo, fonte de todo o bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Seguindo a cronologia da Liturgia da Santa Missa teremos as leituras.
Eclesiástico 3, 19-21.30-31
“Meu filho, faze o que fazes com doçura, e mais do que a estima dos homens, ganharás o afeto deles. Quanto mais fores elevado, mais te humilharás em tudo, e perante Deus acharás misericórdia; porque só a Deus pertence a onipotência, e é pelos humildes que ele é (verdadeiramente) honrado. Não há nenhuma cura para a assembléia dos soberbos, pois, sem que o saibam, o caule do pecado se enraíza neles. O coração do sábio se manifesta pela sua sabedoria; o bom ouvido ouve a sabedoria com ardente avidez”.

Salmo Responsorial 67 (68)
COM CARINHO PREPARASTES UMA MESA PARA O POBRE.

- Os justos se alegram na presença do Senhor rejubilam satisfeitos e exultam de alegria! Cantai a Deus, a Deus louvai, cantai um salmo a seu nome! O seu nome é Senhor: exultai diante dele!
- Dos órfãos Ele é pai, e das viúvas protetor: é assim o nosso Deus em sua santa habitação. É o Senhor quem dá abrigo, dá um lar aos deserdados, quem liberta os prisioneiros e os sacia com fartura.
- Derramastes lá do alto uma chuva generosa, e vossa terra, vossa herança, já cansada, renovastes; e ali vosso rebanho encontrou sua morada; com carinho preparastes essa terra para o pobre.

Carta aos Hebreus 12,18-19.22-24a
“Em verdade, não vos aproximastes de uma montanha palpável, invadida por fogo violento, nuvem, trevas, tempestade, som da trombeta e aquela voz tão terrível que os que a ouviram suplicaram que ela não lhes falasse mais. Vós, ao contrário, vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, das miríades de anjos, da assembléia festiva dos primeiros inscritos no livro dos céus, e de Deus, juiz universal, e das almas dos justos que chegaram à perfeição, enfim, de Jesus, o mediador da Nova Aliança”.

Nós pedimos a Deus, fonte de todo o bem, no início da oração numero 4 “derramai em nossos corações o vosso amor”. Interessante que em Eclo 3, 19 lemos:
“Meu filho, faze o que fazes com doçura, e mais do que a estima dos homens, ganharás o afeto deles”.
Este texto é da versão da Bíblia Ave Maria. Mas na versão CNBB e na Jerusalém leremos que fazendo [nossos negócios/trabalhos] com doçura seremos AMADOS mais que um homem generoso. Aqui (na oração e no versículo) somos chamados a clamar aquilo que necessariamente importa: o amor. E percebemos que com simplicidade seremos amados por Deus que gera o seu amor na humildade, afinal “Jesus nasceu na humildade de um estábulo, em uma família pobre”[1]. Nasceu de uma Mãe humilde (Lc 1, 48).
Acho que esta tradução condiz melhor com o restante do texto que nos inclina para uma humildade independente de nossa situação ou posição (Eclo 3, 20).
Quando rogamos para que Ele estreite “os laços que nos unem convosco” e o fazemos em Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo, estamos, em outras palavras, realçando um dos aspectos da Igreja-Corpo de Cristo: a unidade de todos os membros entre si por sua união com Cristo. Mas como assim? O que tem a ver com as passagens?
Quando a Palavra do Senhor nos diz para sermos humildes quanto mais formos elevados/grandes (Eclo 3, 20-21) nos fala como exemplo do próprio Cristo. Vemos na carta aos Filipenses:
“Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 6-8).
Se Cristo, que é Deus, se fez o mais humilde dos homes, sendo exaltado soberanamente (Fl 2, 9), a sua Igreja-Corpo de Cristo também o deverá ser. Conseqüentemente também seus membros, que somos nós.
Mas para isso é preciso que escutemos a sabedoria. E se o caule do pecado se enraíza nos soberbos (Eclo 3, 28), ao contrário senso a Raiz da sabedoria é o temor a Ele (Eclo 1, 20). Esta sabedoria é o próprio Cristo saído do tronco de Jessé:
“Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria” (Isaías 11, 1-2ª)
Esta certeza nos faz responder ao Senhor no salmo “COM CARINHO PREPARASTES UMA MESA PARA O POBRE”. Esse pobres são os que acolhem [a boa nova] com o coração humilde[2]. A nossa escuta e o nosso coração humilde nos fazem estreitar os laços que nos unem a Cristo Jesus.
Neste sentido vemos a comparação das duas montanhas da carta aos hebreus que se relacionam com os dois filhos de Abraão.  A primeira montanha palpável, com seu fogo e nuvens e trombetas, tem seu paralelo na filha da escrava e significa o monte Sinai, que gera para a escravidão (Gl 4, 22.24-25), onde só a lei servia e não havia intimidade com Deus, apenas distância e medo como escrito no Êxodo:
“(...)o Senhor descerá à vista de todo o povo sobre o monte Sinai. Fixarás ao redor limites ao povo, e dir-lhe-ás: guardai-vos de subir o monte ou de tocar a sua base! Se alguém tocar o monte, será morto. Na manhã do terceiro dia, houve um estrondo de trovões e de relâmpagos; uma espessa nuvem cobria a montanha e o som da trombeta soou com força. Toda a multidão que estava no acampamento tremia. O som da trombeta soava ainda mais forte; Moisés falava e os trovões divinos respondiam-lhe”. (Ex 19, 11b-12.16.18)
Mas a segunda é a Jerusalém celeste representada pelo filho da promessa que é Isaac, e, assim como ele somos nós. Nós somos os filhos desta promessa:
“Mas a Jerusalém lá do alto é livre e esta é a nossa mãe, porque está escrito: Alegra-te, ó estéril, que não davas à luz; (...)Como Isaac, irmãos, vós sois filhos da promessa”. (Gl 4, 26-27a.28)
Mas para isso é preciso ter o selo da promessa que nos diz o livro do Apocalipse:
“Eu vi ainda: o Cordeiro estava de pé no monte Sião, e perto dele cento e quarenta e quatro mil pessoas que traziam escritos na fronte o nome dele e o nome de seu Pai”.
Quando dizemos que este estreitamento com Deus irá alimentar em nós o que é bom, assumimos que a sua palavra nos aproxima da perfeição. Palavra esta que não se resume aquilo que está escrito na Bíblia, mas a palavra atuante em nós pelos Sacramentos, inclusive o Sacramento Eucarístico que será dado na segunda parte da Missa.
Guardar com solicitude o que [Deus] nos destes é a nossa parte. E novamente, aqui entra o papel do Cristo-Igreja que nos Instrui. Se cristo nos chama a humildade, pela qual chegamos a promessa, alegremo-nos, pois ele preparou uma mesa para nós.


[1] Catecismo da Igreja Católica nº 525;
[2] Catecismo da Igreja Católica nº 544;